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CILM1

Os ataques terroristas a Nova Iorque e a Washington DC em 2001, os ataques em Madrid em 2004 e os ataques bombistas de Londres em 2005 exacerbaram medos e fantasias sobre o desastre, que, na imaginação popular, têm sido desde sempre associados ao espaço urbano. A ficção sobre o 9/11 nos EUA, sobre o 11M em Espanha e acerca do 7/7 no Reino Unido é agora encarada como parte integrante de um género literário em crescimento, através do qual autores de diferentes países têm procurado celebrar, reconstruir ou, efectivamente, “proteger” as suas cidades. Apesar de a temática da representação da cidade na literatura e no cinema continuar a ser alvo de uma crescente reflexão crítica, ainda não se realizou um estudo sistemático focando o modo como as recentes (in)seguranças são representadas na ficção urbana produzida de ambos os lados do Atlântico.

Os debates acerca da segurança têm recebido uma atenção cada vez maior não apenas no campo das ciências sociais, mas também em áreas como a filosofia, com intelectuais como Derrida e Habermas. Não obstante, ainda não foram devidamente examinados através de uma perspectiva literária sistemática. Apesar de conceitos centrais empregues pelas ciências sociais no estudo da segurança e vigilância urbanas, tais como o conceito de “panopticismo” (Foucault), “sociedade de controlo” (Deleuze), “estado de excepção” (Agamben) e “ máquina de visão” (Virilio), derivarem sobretudo de obras ficcionais de autores como Kafka, Orwell, Bradbury e Burroughs, os estudos literários têm-se mantido afastados dos debates acerca das repercussões da segurança na sociedade contemporânea. Através do levantamento e sistematização de grande parte do que foi produzido na literatura nas últimas duas décadas, espera-se que os estudos literários e culturais possam reafirmar a sua contribuição para os debates atuais sobre segurança.

CILM1 analisa os romances urbanos atrás mencionados, não isoladamente, mas como parte de um “corpus” alargado de narrativas urbanas produzidas dos dois lados do Atlântico desde o início dos anos noventa. Com o final da Guerra Fria e a emergência de conflitos internacionais intensamente mediatizados, tal como a Guerra do Golfo em 1991, os escritores foram progressivamente tomando consciência do poder da imagem na representação e construção de novas estruturas geopolíticas. De 1990 a 2010, encontra-se assim um “corpus” de romances urbanos que revela estar cada vez mais consciente não apenas de uma politização da imagem, mas também da relação complexa entre ficção e a (in)segurança. O projecto analisa o impacto dos média na produção literária e o modo como determinadas imagens, mensagens e metáforas circulam entre os média (especialmente os visuais), sendo revisitadas por escritores contemporâneos na Europa e nos EUA.

Desde 2013 temos vindo a desenvolver três linhas de investigação principais (CILM2):

  • Comparando Home/lands: esta linha de investigação procura a comparação entre diferentes abordagens nacionais aos conceitos de “home” [lar/home], “land” [terra/território] e o continuum “homeland” [nação/território nacional], levando em consideração contextos históricos específicos, o impacto dos legados coloniais nos discursos contemporâneos e a relação entre a formação de novos impérios económicos e políticos, a emergência de novas fronteiras e as visões dos espaços “domésticos” e “domesticados”, bem como as suas múltiplas projeções.
    Investigadores: Cristina Tejero, Igor Furão, Robert Falanga, Simone Tulumello, Susana Araújo.

  • Estados prisionais e narrativas de cativeiro: esta linha temática explora a construção material e discursiva das prisões e de outros espaços carcerários e examina os contextos históricos, económicos e psicológicos que moldam o estatuto social e jurídico, bem como as condições, dos sujeitos presos. Alguns trabalhos de investigação dão especial atenção a géneros diferentes, especialmente à literatura carcerária produzida por prisioneiros políticos. Outros examinam a relação entre narrativas primitivas e contemporâneas do cativeiro ocidental branco.
    Investigadores: Cristina Tejero, Elisa Scaraggi, Daniel Lourenço, Susana Araújo.

  • Corpos em perigo: Identidade de género e géneros de insegurança: esta linha de pesquisa explora as interseções entre “gender” [género identitário] e “genre” [género literário/cultural] na criação de novas narrativas de insegurança, mas também contempla a forma como abordagens conscientes à noção de genre por artistas e escritores têm contribuído para interrogar e criticar as noções de segurança e proteção, destacando como os espaços seguros e vigiados são frequentemente vistos como restritos a um “género” específico ou “géneros” selecionados, reforçando categorias sociais e classificações hierárquicas.
    Investigadores: Ana Romão, Daniel Lourenço, Eva Dinis, Igor Furão, Susana Araújo.

 


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